segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tortuosa Espera


Perdida em pensamentos ela esticou o corpo no tapete do quarto, lânguida, preguiçosa e lascivamente. Não temia que os pensamentos fugissem. Isso, eles eram seus, lhe pertenciam e voavam por caminhos onde ela desejava estar. Dominava o tempo com pernas que cruzava, descruzava, sentindo crescer o desejo na medida em que os pensamentos lhe levavam para momentos já antes vividos. Uma das mãos se mantinha na taça, onde do vermelho bebia do pecado e nesse momento aquela única taça era o símbolo da solidão. As lembranças passavam por sua mente como um filme, enquanto a outra mão se insinuava a passear pelo corpo, a carícia lhe levava a momentos em que naquele mesmo quarto, já houvera gemidos e sussurros, no mesmo tapete o corpo suara em momentos de êxtases e gozos e agora a inquietude. Nem sombras, nem reflexos, tudo a volta apenas um silêncio que ecoava como um mantra. Quando outra vez? Quanto ainda teria que esperar para mais momento de vontades desfrutadas, desejos realizados e paixão consumida. Da janela, a lua prateava as paredes e o seu corpo nu sobre o tapete e ela muda só envolta em pensamentos e sonhos, sorria. Talvez amanhã, quem sabe?


Adaptação do texto: A Espera
Do Blog: Escrito em Nanquim

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